3. CDI, Tesouro, CDB, LCI e LCA: entendendo o básico sem complicação

Quando alguém começa a estudar investimentos, é comum sentir que entrou em um novo idioma.
Siglas, taxas, prazos, “marcação a mercado”, liquidez, imposto, garantias.

A boa notícia é que você não precisa dominar tudo de uma vez.
Renda fixa é, na essência, um acordo simples: você empresta dinheiro e recebe de volta com juros.

O que muda é:

  • para quem você empresta

  • por quanto tempo

  • quanto você recebe

  • se pode resgatar antes

  • quanto paga de imposto

Vamos organizar isso de forma clara.

1) Primeiro: o que é renda fixa, na prática?

Renda fixa é um tipo de investimento em que as regras de remuneração são conhecidas no momento da aplicação ou seguem um indexador conhecido.

Existem três formas principais de remuneração:

a) Pós-fixada (acompanha uma taxa)

Você não sabe exatamente quanto vai render em números absolutos, mas sabe a regra.
Exemplo: “rende 100% do CDI”.

b) Prefixada (taxa definida)

Você sabe a taxa no momento da compra.
Exemplo: “rende 12% ao ano”.

c) Híbrida (mistura taxa + inflação)

Você tem uma parte fixa e outra que acompanha a inflação.
Exemplo: “IPCA + 6% ao ano”.

Esse trio é a base. Agora vamos às siglas.

2) CDI: não é investimento, é referência

O CDI aparece em todo lugar e confunde quem está começando.

CDI é uma taxa de referência do mercado.
Ela está muito próxima da taxa básica de juros (Selic) na maior parte do tempo.

O CDI serve como “régua” para medir o rendimento de vários investimentos.

Quando você vê:

  • 90% do CDI

  • 100% do CDI

  • 120% do CDI

Significa que seu investimento rende uma proporção do CDI.

Um jeito simples de entender

Imagine que o CDI é como uma “velocidade padrão” do dinheiro no Brasil.
Se seu investimento rende 100% do CDI, ele acompanha essa velocidade.
Se rende 120%, ele anda mais rápido.

3) Tesouro Direto: emprestar para o governo

No Tesouro Direto, você compra um título público.
Na prática, você está emprestando dinheiro para o governo federal, e ele se compromete a te pagar no futuro conforme a regra do título.

Por que o Tesouro é tão usado por iniciantes?

Porque costuma ter:

  • alta segurança (risco soberano)

  • valores mínimos baixos

  • variedade de títulos para objetivos diferentes

  • muita transparência

Principais tipos de Tesouro (sem complicar)

a) Tesouro Selic (pós-fixado)

Acompanha a taxa Selic.
É o mais usado para:

  • reserva de emergência

  • objetivos de curto prazo

  • quem não quer ver oscilações no caminho

Ponto forte: tende a oscilar pouco e é simples de entender.

b) Tesouro Prefixado

Você trava uma taxa no momento da compra.
Bom para quem tem um prazo definido e quer previsibilidade.

Risco principal: se você precisar vender antes do vencimento, pode pegar um preço pior ou melhor (isso depende do cenário de juros).

c) Tesouro IPCA+ (híbrido)

Rende inflação (IPCA) + uma taxa fixa.
Serve para objetivos de longo prazo porque:

  • protege o poder de compra

  • cria crescimento real

É muito usado para:

  • aposentadoria

  • metas de longo prazo

  • formação de patrimônio

4) CDB: emprestar para o banco

CDB é o Certificado de Depósito Bancário.
Aqui você empresta dinheiro para um banco e ele te paga juros.

Como o CDB rende?

A maioria é:

  • pós-fixada (ex: 110% do CDI)
    Mas também existe:

  • prefixado

  • híbrido

Por que bancos pagam CDI + algo?

Porque eles usam seu dinheiro para emprestar a outros clientes ou financiar operações.
O CDB é uma forma de captação.

Um ponto muito importante: garantia

Muitos CDBs têm cobertura do FGC (um mecanismo de proteção para o investidor dentro de limites e regras).
Isso costuma aumentar a sensação de segurança para iniciantes.

5) LCI e LCA: parecidas com CDB, com um diferencial forte

LCI (crédito imobiliário) e LCA (crédito do agronegócio) funcionam como o CDB:
você empresta para uma instituição financeira, e ela remunera você.

A grande diferença é que, para pessoa física, LCI e LCA geralmente são isentas de imposto de renda.

O que isso muda na prática?

Uma taxa menor pode ser melhor do que parece.

Exemplo de raciocínio simples:

  • CDB rende mais, mas paga imposto

  • LCI/LCA rende um pouco menos, mas pode ficar mais eficiente no líquido

Isso não significa que LCI/LCA sempre é melhor.
Significa que você precisa olhar o “quanto sobra no final”.

Atenção comum para LCI/LCA

Muitas têm:

  • carência (um período em que você não pode resgatar)

  • prazos mínimos maiores

Então são boas para dinheiro que você não vai precisar no curto prazo.

6) Como escolher entre eles sem se perder?

Ao invés de perguntar “qual rende mais?”, faça três perguntas:

1) Para quando eu preciso desse dinheiro?

  • curto prazo: liquidez é rei

  • médio prazo: dá para travar prazo e ganhar taxa melhor

  • longo prazo: dá para proteger inflação e buscar previsibilidade

2) Eu posso precisar resgatar antes?

Se sim, priorize:

  • liquidez diária

  • baixa oscilação

  • produtos simples

3) Eu entendo o que estou comprando?

Se você não consegue explicar em uma frase como ganha dinheiro com aquilo, ainda não é hora.

7) Um mapa mental simples para o iniciante

  • Reserva de emergência: Tesouro Selic ou pós-fixados com alta liquidez

  • Objetivos de 1 a 3 anos: CDB/LCI/LCA com prazos definidos, sem abrir mão de segurança

  • Longo prazo (patrimônio): Tesouro IPCA+ e estratégias com prazo mais longo

Essa lógica não é engessada.
Ela é um começo seguro.

8) O que realmente importa: começar com clareza

Renda fixa não é “investimento menor”.
Ela é o lugar onde o iniciante aprende as bases que todo investidor experiente domina:

  • risco e retorno

  • prazo e objetivo

  • imposto e rentabilidade real

  • constância e disciplina

Quando você entende CDI, Tesouro, CDB, LCI e LCA, você deixa de ser alguém que “testa investimentos”.
Você vira alguém que executa um plano.

E é isso que constrói patrimônio.

Se quiser, no próximo artigo eu já posso emendar com o tema 19 e explicar juros compostos e aportes mensais com exemplos bem didáticos, sem matemática pesada e sem promessas.